A diferença entre um show e um espetáculo inesquecível
Regularmente, em nosso dia-a-dia de produtores de eventos corporativos, nos deparamos com uma situação que nos tira o sono: Qual o show mais adequado para encerrar uma noite?
Como você pode imaginar, existe uma miríade de fatores que podem nos levar para este ou para aquele caminho: o perfil da empresa que nos contrata, o tipo do evento em questão, os convidados em si, a expectativa, o histórico recente e – sempre ele – orçamento disponível! E, desde muito cedo nesse ramo, aprendi que existe um caminho mais curto para promover um show inesquecível: tentar algo que ninguém fez antes.
Não é o caminho mais fácil, nem o mais seguro. Mas com certeza é aquele que vai fazer com que um determinado evento sobreviva na memória dos convidados por um tempo muito maior que outros. E, em um mundo onde esse tipo de encontro social/empresarial é cada vez mais constante, a diferenciação se torna uma palavra de ordem.
É aí que entra em campo aquilo que chamamos de “a máxima do cartão de crédito”. Basicamente, ela nos ensina que “...existem coisas que o dinheiro pode comprar. Para todas as outras, existe um cartão de crédito”. Traduzindo: se um determinado show está na prateleira, se os convidados daquele evento especial têm a possibilidade de já ter visto (ou mesmo ir ver depois) um determinado espetáculo pagando para isso, esse show simplesmente não é bom. E aí começa o trabalho...
Montar um espetáculo musical inédito e exclusivo demanda mais tempo e mais dinheiro que o show que foi um tremendo sucesso na semana (no mês, no ano) anterior. Mas é mais que compensador; é inesquecível! Com um argumento desses, dificilmente seu cliente se recusará a ouvir a sua proposta.
O primeiro passo, naturalmente, é considerar todos aqueles fatores (empresa, evento, convidados...) que elenquei acima. Depois, parta para a criação de um espetáculo que os artistas tenham desejo de participar. Isso é meio caminho andado, uma vez que as próprias estrelas se tornam os maiores facilitadores do processo. Quando fizemos um show de Daniela Mercury com o cantor argentino Fito Paez, por exemplo, estávamos proporcionando um encontro que dois artistas de igual magnitude – um em cada país – tinham muita vontade de realizar.
A etapa seguinte é uma das mais delicadas: buscar a melhor interface para montar esse show. Produtores musicais independentes funcionam melhor que empresários de artistas. O custo desses profissionais muitas vezes pode ser compensado por uma redução do cachê dos artistas (negociado pelo próprio produtor musical), já que eles não apresentam um ‘show inteiro’. Um empresário dificilmente reduzirá o cachê de seu contratado.
Mais adiante, a definição do repertório. Aqui é o momento crítico! Artistas, via de regra, querem apresentar seu último trabalho. Clientes, por segurança, querem ouvir somente os grandes sucessos. E é nosso papel, sempre, propor algo inédito, diferente! Como sair dessa? Tematize! Não tenha medo de propor um conceito – desde que inteligente e coerente – todos vão adorar a idéia!
Recentemente fizemos para uma montadora de automóveis um show com Roberto Carlos e Caetano Veloso cantando somente Tom Jobim. Alguém duvida que isso foi melhor que ouvir os eternos sucessos de cada um desses artistas? Esse é o campo aberto para você mostrar sua criatividade... pode ser desde uma seleção de clássicos, músicas de uma determinada época, o repertório de um compositor, enfim... são milhares os formatos e o resultado tem muito mais chances de se tornar inesquecível.
Mais adiante ainda temos a parte dos arranjos, dos ensaios, enfim... nada que, planejado com antecedência, não possa correr sem atropelos. Um bom maestro é chave no processo e, em grande parte dos casos, os artistas vão indicar diferentes arranjadores. É claro que dá trabalho e nessa altura, o mais difícil, é conter a ansiedade de um cliente que está pagando caro e quer ver tudo pronto! E, óbvio, esses ensaios só vão acontecer às vésperas do seu evento.
Chegamos ao dia do grande espetáculo. Trabalhe com os melhores fornecedores técnicos. O risco já é alto e não vale potencializá-lo economizando em equipamentos. E inove! Já que você conceituou o espetáculo, proponha também idéias de luz, de vídeo, de cenografia... essa é a hora de você mostrar que todo esse investimento valeu à pena! Um dos melhores shows que produzi revezava três divas da MPB cantando o repertório de Dorival Caymmi que, naquele ano, completava 90 anos de idade. Ao fundo foram projetadas imagens, em slow-motion, do mar, da Bahia dos anos 30... tudo muito simples, mas um efeito arrasador!
Em resumo: muito depende de você. Na próxima oportunidade pense: você vai fazer mais um show ou vai fazer algo que o dinheiro não pode comprar?
Celso Antunes é sócio e Diretor de Criação da Hype Comunicação, agência de Marketing Promocional e Eventos que atende Fiat, Nextel, Goodyear e outros. Já produziu shows corporativos fechados, no Brasil e no exterior, com artistas do porte de Roberto Carlos, Caetano Veloso, Daniela Mercury, Gal Costa, Simone, Seu Jorge, Elza Soares, Paulinho da Viola, Fito Paez e Blue Man Group, apenas para citar alguns exemplos.
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